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Mortes por acidentes de trânsito no Brasil (2023)

  • Sidcley Santos
  • 13 de mar. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 19 de dez. de 2025



No ano de 2023, o Brasil registrou 34.618 mortes decorrentes de sinistros de trânsito, o que representa 2,4% do total de óbitos ocorridos no país naquele período. Esses dados, extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DataSUS) do Ministério da Saúde, abrangem as causas classificadas pelo CID-10 como 'Acidentes de Transporte', evidenciando o impacto contínuo da violência viária na saúde pública brasileira.

O estado de São Paulo lidera o ranking em números absolutos, registrando 4.911 óbitos por sinistros de trânsito, o que corresponde a 14,2% do total nacional. Este volume é um reflexo direto de sua dimensão demográfica, superior a 44 milhões de habitantes, e da magnitude de sua frota, que soma cerca de 32 milhões de veículos (representando 25% da frota nacional).

Na sequência, o estado de Minas Gerais ocupa a segunda posição com 3.356 vítimas, equivalente a 9,7% do total de óbitos no país. É relevante destacar que Minas Gerais possui a segunda maior frota do Brasil, com aproximadamente 14 milhões de veículos registrados. A terceira posição é ocupada pela Bahia, que contabilizou 2.853 mortes (8,2%). Ambos os estados possuem extensas redes rodoviárias e contingentes populacionais significativos, fatores que, somados à densidade veicular, resultam em uma contribuição expressiva para as estatísticas de mortalidade no território brasileiro.


Somados, os estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia concentram 32,1% de todas as fatalidades de trânsito ocorridas no Brasil em 2023


UF

TAXA 

TOTAL DE MORTES

TOCANTINS

38,7

585

MATO GROSSO

34,7

1271

PIAUI

31,6

1033

RONDONIA

28,8

456

MATO GROSSO DO SUL

26,3

724

RORAIMA

24

153

GOIAS

23,9

1685

PARANA

21,6

2469

MARANHAO

21,4

1448

ESPIRITO SANTO

21,3

815

PARAIBA

21,1

840

CEARA

20,8

1827

PARA

20,7

1684

BAHIA

20,2

2853

SERGIPE

20,1

444

SANTA CATARINA

18,6

1415

ALAGOAS

18,5

579

PERNAMBUCO

16,5

1494

MINAS GERAIS

16,3

3356

RIO GRANDE DO SUL

15,2

1649

RIO GRANDE DO NORTE

12,3

407

ACRE

11,4

95

AMAZONAS

11,1

438

SAO PAULO

11,1

4911

AMAPA

10,9

80

DISTRITO FEDERAL

10,1

284

RIO DE JANEIRO

10,1

1623




Indicadores de Mortalidade por 100 mil Habitantes


Sob uma perspectiva analítica distinta, ao normalizar os dados pela distribuição de mortes por grupos de 100 mil habitantes, obtêm-se indicadores mais precisos sobre o risco relativo em cada região. A taxa média de mortalidade no trânsito brasileiro situa-se em 17,1.

Nesse cenário, o estado do Tocantins apresenta o índice mais crítico do país, com uma taxa de 36,1, valor aproximadamente 111% superior à média nacional. O Mato Grosso ocupa a segunda posição, com uma taxa de 31,7, seguido por Rondônia, com 31,4. Esses índices revelam que, embora estados com grandes frotas liderem em volume absoluto, a gravidade e a probabilidade de ocorrências fatais são significativamente acentuadas em estados das regiões Norte e Centro-Oeste.


Perfil das Vítimas e Vulnerabilidade por Modal de Transporte



A análise da mortalidade por modal de transporte revela que os motociclistas constituem o grupo mais vulnerável nas vias brasileiras, representando 37,2% do total de óbitos (12.870 mortes). Em seguida, figuram os ocupantes de automóveis, com 19,9% (6.902 mortes), e os pedestres, que somam 15,5% das fatalidades (5.351 óbitos).

A disparidade regional torna-se evidente ao observar a proporção de mortes de motociclistas em relação ao total de cada unidade federativa. O estado do Piauí apresenta o cenário mais crítico, onde 68% de todas as mortes registradas no trânsito envolvem motociclistas. Alagoas e Sergipe ocupam a segunda posição, ambos com 61%. Outros estados como Rondônia (48%), Tocantins (45%) e Mato Grosso (42%) também apresentam índices significativamente superiores à média nacional.]

O Piauí registra o cenário mais crítico de vulnerabilidade sobre duas rodas, com 68% dos óbitos no trânsito concentrados em motociclistas, seguido de perto por Alagoas e Sergipe.

Em contraste, as menores proporções de óbitos de motociclistas foram observadas no Distrito Federal e no Amapá (19%), seguidos pelo Rio de Janeiro (20%). No entanto, esses estados apresentam uma dinâmica de risco distinta: o Distrito Federal e o Rio de Janeiro registram as maiores proporções de mortes de pedestres no país, com 35% e 30%, respectivamente. Tais dados indicam que, enquanto em certas regiões a crise de segurança viária está centrada na motorização individual por motocicletas, nos grandes centros urbanos e capitais, a vulnerabilidade dos pedestres assume o papel preponderante nas estatísticas.



Recorte por sexo e Perfil de Exposição


A análise da mortalidade no trânsito sob a perspectiva de gênero revela uma disparidade acentuada: 82% das vítimas fatais são do sexo masculino, enquanto o sexo feminino representa 18% do total. Quando o recorte é restrito especificamente aos motociclistas, a predominância masculina torna-se ainda mais evidente, atingindo 88% dos óbitos, restando 12% às mulheres.





Essa concentração estatística está intrinsecamente ligada à maior exposição ao risco por parte dos homens. O fator determinante para esse cenário é a natureza das atividades remuneradas: uma parcela significativa da força de trabalho masculina utiliza a motocicleta como ferramenta principal de geração de renda, especialmente nos setores de logística, entregas e transporte rápido. Essa dinâmica laboral impõe uma jornada de exposição constante a condições adversas de tráfego, o que se reflete diretamente nos elevados índices de vitimização masculina.



Distribuição por Faixa Etária e Perfil de Vulnerabilidade


A análise geracional dos óbitos revela dois fenômenos distintos de vitimização. O primeiro concentra-se na população jovem e adulta (15 a 44 anos), que responde por 55,5% das mortes gerais no trânsito. Apenas a faixa entre 15 e 34 anos concentra 36,6% das fatalidades, evidenciando a relação entre a juventude e a maior exposição ao risco, o que impacta diretamente a população em idade economicamente ativa.

O segundo fenômeno refere-se à vulnerabilidade física dos pedestres. Enquanto as mortes gerais declinam após os 44 anos, a mortalidade de pedestres cresce progressivamente com a idade, culminando em 46% das vítimas com 55 anos ou mais. Esse cenário é agravado pelo declínio fisiológico natural — como a redução da motricidade e da acuidade sensorial — somado a uma infraestrutura urbana que não atende às necessidades de segurança da população idosa, tornando-as o grupo mais suscetível a atropelamentos fatais.



Destaques Estatísticos:

  • Pico de Mortes Gerais: Faixa de 25 a 34 anos (19,7%).

  • Pico de Mortes de Pedestres: Concentração máxima entre 45 e 64 anos (34% somados).




Considerações finais


Os dados analisados revelam que a mortalidade no trânsito brasileiro em 2023 não é um fenômeno homogêneo, mas sim o resultado de uma complexa sobreposição de fatores geográficos, socioeconômicos e biológicos. A predominância de óbitos entre homens (82%) e a alta concentração de fatalidades na população em idade ativa (15 a 44 anos) evidenciam o impacto severo do trânsito na força de trabalho e na economia nacional.

A disparidade regional destaca a urgência de políticas públicas descentralizadas. Enquanto estados como o Piauí, Alagoas e Sergipe enfrentam uma crise centrada na vulnerabilidade dos motociclistas — com índices de letalidade que chegam a 68% — grandes centros urbanos como o Rio de Janeiro e o Distrito Federal precisam priorizar a segurança dos pedestres, especialmente da população idosa, que responde por quase metade das mortes neste modal.

Em suma, a redução dos 34.618 óbitos anuais exige mais do que campanhas genéricas de conscientização. É imperativo que haja investimentos em infraestrutura urbana segura, regulação das novas dinâmicas de trabalho sobre duas rodas e uma atenção especial ao envelhecimento populacional, garantindo que a mobilidade no Brasil deixe de ser um reflexo das desigualdades sociais e se torne, efetivamente, um direito seguro para todos os cidadãos.

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